Hoje, estou escrevendo para o site, tenho uma profissão, busco atualizar sempre meus conhecimentos e também pago minhas contas. Sou mais uma das inúmeras mulheres que colhe os benefícios de toda a transformação da história da mulher dos últimos 150 anos e que, sem necessariamente perceber, está contribuindo para a contínua construção, agora no século XXI. Na mensagem de hoje, quero mais do que parabenizar a todas pelo nosso dia, gostaria também de favorecer uma maior conscientização do nosso papel e da má influência que os meios de comunicação causam à nossa imagem.
CONQUISTAS
Até meados do século XIX, a vida da mulher era voltada para a procriação e administrada conforme os interesses masculinos. Vivendo de forma resignada seu papel, restava-lhe o prazer de agradar sem expressar opiniões. Quando os donos das fábricas no século passado precisaram aumentar a produção, a vida da mulher mudou muito. Passou a ler, a escrever e entrou para o mercado de trabalho. Com o capitalismo, a força de trabalho feminina abriu maior espaço na sociedade. Obteve reconhecimento pela sua capacidade intelectual, ocupou cargos e mais cargos, antes prioritariamente masculinos, e passou a contribuir financeiramente no lar. Com todos estes ganhos para a mulher, deveríamos estar felizes e satisfeitas. Mas não é bem isso o que estamos assistindo, especialmente nos consultórios dos psicólogos e dos médicos em geral.
A BANALIZAÇÃO DA IMAGEM
A independência financeira e profissional da mulher passou a valorizar a estética do corpo que vem sendo muito reforçada pela mídia. Uma exposição inadequada que leva à banalização do corpo da mulher vem afetando a sua subjetividade, ou seja, suas emoções, pensamentos, sentimentos e a forma de se relacionar. O corpo feminino passou a ser explorado pelas propagandas, revistas, jornais, programas de TV e indústria pornográfica como meio para aumentar a movimentação financeira. A imagem mulher atualmente está sendo usada para consumir e ser consumida.
Assistimos a mulher, que conquistou tanto, submetida às imposições da mídia e ao mercado de consumo. A mídia também tem criado estereótipos femininos fracos e manipuláveis, além de incentivar a violência doméstica e a submissão da mulher. Estas imagens estão prejudicando também as gerações futuras. As adolescentes têm uma visão muito negativa sobre elas mesmas, baixa auto-estima e pouca tolerância à frustração. Ilusões e mais ilusões, vazios e depressões.
Queridas mulheres lindas, fortes, responsáveis, inteligentes, esforçadas, amorosas, gentis e cuidadoras, estamos correndo o risco de esquecer o que realmente importa, de atender as nossas reais necessidades.
O VERDADEIRO LUXO
Mudar o mundo é mudar o modo de olhar. Vamos escolher melhor o que comprar, o que assistir, o que ouvir. O verdadeiro luxo para a mulher é saber reconhecer, vivenciar e praticar tudo o que conquistou com simplicidade, valorizando-se e fazendo-se ser respeitada. Um novo olhar sobre o que realmente tem valor é o máximo da sofisticação. Em nossa essência sabemos que o que é mais valioso, não pode ser embalado e tampouco vendido.